Ciclos e sumidouros de carbono: como as florestas combatem as alterações climáticas globais
Em dezembro de 2020, o governo canadiano anunciou o seu plano para plantar dois mil milhões de árvores na próxima década, com um custo de 3,16 mil milhões de dólares. Prevê-se que essa estratégia reduza as emissões de gases com efeito de estufa em até 12 megatoneladas até 2050, criando, ao mesmo tempo, até 4 300 postos de trabalho.
Tal como reflete esse recente anúncio, as florestas têm vindo a ser cada vez mais reconhecidas pelos decisores políticos de todo o mundo como um elemento crucial do «ciclo do carbono» e da luta contra as alterações climáticas. As florestas geridas de forma eficaz podem desempenhar um papel fundamental na absorção e armazenamento de carbono e, como tal, contribuir para reduzir os níveis de carbono na atmosfera associados ao aquecimento global.
O que é o ciclo do carbono?
O «ciclo do carbono» refere-se à série de processos através dos quais o carbono transita entre a terra e a água, passando pela atmosfera e pelos organismos vivos. A Administração Nacional Oceânica e Atmosférica (NOAA) define o ciclo do carbono como «a forma como a natureza reutiliza os átomos de carbono, que viajam da atmosfera para os organismos na Terra e, depois, voltam para a atmosfera, num ciclo contínuo».
A maior parte do carbono está armazenada em rochas e sedimentos, enquanto o restante se encontra no oceano, na atmosfera e nos organismos vivos. Embora o carbono circule ao longo do ciclo, a quantidade total de carbono não se alterou ao longo do tempo.
No entanto, devido a atividades humanas como a queima de combustíveis fósseis, os equilíbrios de carbono no ciclo sofreram alterações, tendo uma maior quantidade desse carbono sido libertada para a atmosfera.
Nas florestas, as árvores absorvem dióxido de carbono através da fotossíntese. Durante este processo, é libertado oxigénio e o carbono é armazenado nos troncos, ramos, raízes e folhas. O processo de absorção e armazenamento de carbono é conhecido como sequestro.
Uma floresta é considerada um «sumidouro de carbono» se absorver mais carbono da atmosfera do que aquele que liberta de volta para ela. Este resultado é positivo, do ponto de vista das alterações climáticas, uma vez que o carbono fica armazenado na biomassa lenhosa, nos produtos de madeira, na matéria orgânica morta e no solo.
Por outro lado, uma floresta torna-se uma «fonte de carbono» se libertar mais carbono do que absorve. Perturbações catastróficas, como incêndios florestais, tempestades e infestações graves de insetos, podem aumentar a libertação de carbono e tornar uma floresta numa fonte líquida de carbono a curto prazo.
As reservas de carbono florestal estão a aumentar
Nos últimos 40 anos, as florestas têm atenuado as alterações climáticas ao absorverem aproximadamente um quarto do carbono emitido por atividades humanas, como a queima de combustíveis fósseis e a alteração do uso do solo. Essa absorção de carbono reduz a taxa de acumulação de carbono na atmosfera e, consequentemente, abranda o ritmo das alterações climáticas.
Nos Estados Unidos, onde as florestas cobrem aproximadamente um terço do território, as reservas de carbono florestal aumentaram 10 % desde 1990. «As reservas globais de carbono florestal têm aumentado anualmente…, o que significa que as florestas dos EUA têm sido um sumidouro líquido de carbono, absorvendo mais carbono da atmosfera do que aquele que libertam», de acordo com um relatório de 2020 do Serviço de Investigação do Congresso.
Em 2019, as florestas dos EUA armazenavam 58,7 mil milhões de toneladas métricas (BMT) de carbono. A maior parte desta quantidade (95 %) estava armazenada nos reservatórios dos ecossistemas florestais, estando o restante sequestrado em produtos de madeira extraída.
Os reservatórios de carbono do ecossistema florestal incluem a biomassa acima do solo, a biomassa abaixo do solo, a madeira morta, a serapilheira, o solo e os produtos de madeira extraída. Os solos florestais constituem o maior reservatório de carbono florestal, representando cerca de 54 % do armazenamento. O segundo maior reservatório é a biomassa acima do solo, que retém cerca de 26 % do carbono florestal.
O gráfico abaixo mostra o crescimento contínuo do armazenamento total de carbono, bem como a importância relativa dos vários reservatórios dos ecossistemas florestais, medidos em mil milhões de toneladas métricas de carbono.

Como a gestão florestal contribui para melhorar as reservas de carbono
Uma gestão florestal eficaz contribui para garantir que seja sequestrado mais carbono e que seja libertado menos carbono através de fenómenos como os incêndios florestais ou de processos como a queima de resíduos de abate. A curto prazo, os esforços de gestão visam reduzir as emissões de carbono através de medidas de proteção contra incêndios e infestações de insetos, bem como evitando a queima de resíduos de abate.
A longo prazo, estratégias como a reflorestação (plantação de novas florestas) e a prevenção da desflorestação desempenharão um papel fundamental. Práticas de gestão como o alongamento dos ciclos de exploração, a seleção de espécies e a garantia de um replantio imediato após a exploração ou perturbações também contribuirão para promover a saúde das florestas e reforçar ainda mais as reservas de carbono florestal, constituindo um pilar essencial na nossa defesa contra as alterações climáticas.











